MINHA VIDA, MEU MINISTÉRIO.

10:19Apenas Evangelho


Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado.
I Coríntios 9:27

Por Sandro VS

Paulo sempre teve como inimigo muito presente a inveja alheia. 

Alguns adversários do Evangelho não admitiam tanta voluntariedade do apóstolo, a ponto de julgarem sempre suas atitudes como sendo de fachada, de aparência. 

Neste capítulo o apóstolo fala com alguns crentes de Corinto que estavam sendo enredados por tal crítica e, por isso, também desconfiando dele. 

Por isso começa falando de um direito que sempre abriu mão em qualquer igreja, ou seja, o direito se ser sustentado por ela. 

Fazia isto para não colocar nenhum empecilho ao Evangelho, ou seja, em última instância, uma coisa dominava a conduta do apóstolo: Não fazer nada que desacreditasse o Evangelho. 

Então ele passa a dizer com que sentimento pregava o Evangelho, ou seja, sentia-se um privilegiado ao fazê-lo. Paulo não via o ministério como uma carreira bem sucedida, mas como uma oportunidade de serviço, assim não recebia por nada que poderia fazer de graça. 

Na verdade considerava o seu apostolado como o oposto disso, ou seja, era um dever, por isso nunca pensou no seu ministério como uma profissão que tivesse escolhido para o sustento da sua vida. 

Mas sempre admitiu que a tarefa de pregar o Evangelho que o escolheu, assim não poderia colocar qualquer preço na frente daquilo que era obrigado a fazer. 

Apesar de não valorizar mais o pagamento do que o trabalho, Paulo sabia que recebia diariamente um grande prêmio. 

Tinha a satisfação de levar o Evangelho, livremente, a todos os homens que o recebessem, assim deixa claro, que no Evangelho, a verdadeira gratificação não é o pagamento em dinheiro, mas sim a satisfação de tê-lo exercido bem. 

O comentarista do novo testamento William Barclay conta a seguinte história sobre certo doutor: 

“O Dr. Schweitzer relatou o momento que lhe outorgava maior felicidade. Chegava ao hospital quando alguém sofria intensamente. Tranquilizava a pessoa dizendo que a faria dormir, que a operaria e que isto lhe faria bem. Depois da operação se sentava ao lado da pessoa esperando que recuperasse os sentidos. A pessoa muito devagar abria os olhos e os ouvidos e sussurrava com grande surpresa: "Não sinto mais dor." Esse era o grande momento para Schweitzer. Não há nisto nenhuma recompensa financeira ou material, mas há uma satisfação tão profunda no coração”

As próximas palavras de Paulo foram, e ainda são mal interpretadas. 

Seu método era fazer-se tudo para todos. Isto não significa adotar uma personalidade hipócrita de duas caras, sendo uma coisa para uns e outra para outros, mas simplesmente trata-se da capacidade de se dar bem com qualquer pessoa. 

Ou seja, o homem que nunca enxerga nada além do seu ponto de vista necessita do dom da simpatia, aquele que nunca tenta compreender a mente e o coração de outros poderá ser um pastor ou um evangelista, nem sequer um amigo. 

Então Paulo encerra falando da maior maneira de exercer o ministério evangelístico, com a vida, pois se o alvo é levar outros à vida eterna, deve-se primeiro viver com alguém que está percorrendo este caminho. Em outras palavras, é não correr o risco de passar a vida pregando o Evangelho e nunca tê-lo vivido. 

Paulo não está sugerindo aqui que não tinha segurança na sua salvação, como se a pudesse perdê-la a qualquer momento, mas está falando do seu ministério, ou seja, viver o que prega e pregar com o que vive. 

Por isso ele diz que não golpeia o ar, como se os obstáculos para se viver o Evangelho fossem externos a ele, mas sim, que luta diariamente contra o seu único adversário neste ministério, ele mesmo, por isso se esmurra a si mesmo para sempre viver o Evangelho e não ceder a nada que pudesse impedi-lo de fazê-lo. 

Nossos maiores obstáculos no Evangelho não são os “aduladores” que querem nos abençoar ou os críticos que nos difamam quando recebemos ofertas, nem aqueles que nos acham politiqueiros, mas sim a única pessoa que pode confirmar todas estas suspeitas, nós mesmos. 

Soli Deo Glória!

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